quinta-feira, 24 de março de 2016

Brasil Colonial era um grande foco de epidemias


Brasil Colonial era um grande foco de epidemias

POSTAGEM DE 23 DE MARÇO DE 2016 ΙΣΤΟΡΊΑ NOSSA CAMINHADA   

Prof. José Cícero Gomes, para ΙΣΤΟΡΊΑ NOSSA CAMINHADA.
Havia um distanciamento enorme entre os lusitanos e seus parentes que vinham se aventura no Brasil ou estavam aqui em degredo. Pois o trajeto de Lisboa ao Brasil era muito difícil, insalubre e mortífero para velhos, crianças e quem tivesse a saúde fragilizada. Viajar em mares nunca d’antes navegado não era para qualquer um. Assim as dificuldades e os perigos faziam com que o Brasil fosse pouco visitado nos séculos XVI, XVII e XVIII.

A SOCIEDADE LUSO-BRASILEIRA, SUAS DOENÇAS E CONDIÇÕES SANITÁRIAS.

Os portugueses quando aqui chegaram, em 1500, encontraram uma grande população indígena que viviam de maneira seminômade que possuía uma cultura pouco heterogênea em termos culturais e linguísticos. Tupis-guaranis, tapuias, goitacases, aimorés e outras etnias se dispersavam pelo litoral e o interior. É bom lembramos que aqui abaixo do Equador não havia muitas das doenças virais e bacterianas existente no velho mundo. Entre as doenças de que sofriam os indígenas no principio da colonização portuguesa no Brasil, o historiador Lourival Ribeiro (1971) cita as “febres[1]”, as disenterias, as dermatoses, os pleurises[2] e o bócio endêmico[3] como sendo as moléstias[4] prevalentes entre os indígenas. Passado o período de exploração da costa, cuja principal atividade econômica era a extração do pau-brasil, a Coroa portuguesa inicia, com a expedição de Martim Afonso de Souza (1530-1533), o processo de colonização e ocupação territorial. Esse período foi marcado pela exaltação da natureza brasileira. Parecia que a doença raramente afligia os habitantes da América. O certo é que, ao findar o período colonial, os poucos índios que viviam sob o domínio português eram pertencentes ao último escalão da sociedade. A escravização e a matança, iniciadas com a captura ou desocupação de terras, contribuíram menos que as doenças importadas para o que os historiadores chamam de catástrofe demográfica da população indígena (Silvia, 1991). Os índios foram vítimas de doenças como sarampo, varíola, rubéola, escarlatina, tuberculose, febre tifoide, malária, disenteria, gripe, trazidas pelos colonizadores europeus, para as quais não tinham defesa imunológica.[5] Junto com os escravos africanos, aportou também um novo tipo de malária[6] em solo americano.
A grande maioria dos agentes patológicos[7] veio abordo das naus lusitanas e aqui desembarcavam na cidade de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, e logo encontravam um ambiente propício para se proliferassem devido os maus âmbitos de higiene dos próprios colonos portugueses e dos nascidos na terra, os luso-brasileiros (filhos de pai e mãe lusitanos mas nascidos no Brasil). Vários Zé ninguéns também herdaram os maus âmbitos higiênicos dos portugueses. Quem eram os Zé ninguéns que nunca foram vistos como portugueses? Esses eram os filhos bastardos dos colonos portugueses com mulheres indígenas ou com escravas africanas com, esses quando incorporados na vida urbana não eram menos desprovidos de âmbitos de limpeza do que os autênticos lusitanos. Era algo bem comum, na cidade de São Sebastião do Rio, na cidade São Salvador da Bahia de Todos os Santos ou em qualquer outro núcleo urbano brasileiro colonial, um transeunte era “atingido” por excrementos humanos voadores enquanto seguia pela rua. Não havia esgoto, e o hábito era jogar o resíduo pela janela mesmo. As ruas, claro, não ficavam exatamente limpas, e se tornavam bastante insalubres[8]. Não tendo na colônia nenhuma faculdade de medicina, doenças contagiosas chegavam e ficavam sem e se proliferavam[9] com facilidade porque não havia resistência por falta de médicos e medicamentos eficazes.  Mesmo nos últimos dias da década de 90 do século XVIII, já muito próximo do fim do período colonial e da chegada da família real portuguesa em fuga para o Brasil, a colônia portuguesa na América do Sul, digo o Brasil, já com uma população estimada em cerca de 3 milhões de habitantes, não tinha mais de 12 médicos formados para atender os luso-brasileiros, é bom lembramos que todos eram importados. Por tudo isso, a expectativa de vida era muito curta. Era uma raridade os indivíduos que passavam dos 30 anos. As Crianças eram vítimas fáceis: nos séculos XVII e XVIII, por exemplo, apenas uma em cada três crianças nascidas nas áreas urbanizadas da colônia portuguesa conseguia sobreviver.

A pólvora como medicamento[10]
Escassos também em Portugal, os físicos eram mandados Dentre medidas hoje consideradas curiosas, como o acendimento de fogueiras, a expulsão das meretrizes da cidade
Mesmo quando o paciente sendo um sujeito abastado ainda precisava conta com a sorte porque ter riqueza não era garantia de conseguir assistência médica profissional, sua situação não era das melhores – os médicos também não sabiam muito bem o que estavam fazendo. Para termos uma ideia da medicina praticada no mundo colonial português no final do século XVII, vamos lembrar o médico português João Ferreira Rosa, que veio ao Pernambuco em caráter excepcional, devido a grande epidemia de febre amarela que assolava a cidade de Recife. Em 1690, o médico João Ferreira Rosa, mediante o contrato de uma pensão de 20 mil réis e uma ajuda de custo de 50 mil réis, apresentou as regras para uma campanha considerada como a primeira de caráter profilático[11] das Américas, do alto do seu reconhecimento como um médico[12] renomado que veio fazer parte dos poucos profissionais de saúde da colônia, recomendou, entre outras coisas, a expulsão das prostitutas. Segundo ele, elas ofendiam a Deus, que poderia querer se vingar. Além da expulsão das prostitutas e a emanação de tiros de canhão para afugentar a epidemia, o médico também ordenou medidas higiênicas que resultaram no enfraquecimento gradativo do mal. Os remédios daquela época, aliás, frequentemente envolviam ingredientes como fumo, fezes de cavalo, aguardente e, está documentado, pólvora. Imagine o alvoroço que isso tudo não causava no organismo do vivente, acabando por fazer muito mais mal do que bem. Ou seja, mesmo com a chegada da Corte ao país em 1808 e a criação de duas faculdades de medicina por aqui (uma em Salvador e outra no Rio), a saúde pública no país não melhorou muito. A própria expectativa de vida só viria a subir significativamente no século XX.  



[1] med elevação da temperatura corporal acima de 37o C; pirexia.
[2] Med pleurises o mesmo que pleurisa. Pleurisia ou pleurite é uma inflamação das pleuras pulmonares (parietal e visceral) que pode ser seca ou com aumento do líquido pleural (derrame pleural).
[3] O bócio endêmico ou carencial corresponde a um aumento de tamanho da tireoide, formando um inchaço no pescoço, também chamado de papo.
[4] Disfunção orgânica, ger. manifestada por uma série de sintomas; mal, doença, enfermidade.
[5] O sistema imunológico: (tambem conhecido como sistema imunitário) é a defesa do organismo contra organismos infecciosos e outros invasores. (anticorpos ou defesas naturais que imunizam contra doenças).
[6] Malária, Doença infecciosa febril aguda causada por parasita unicelular, caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios, suores e cefaleia, que ocorrem em padrões cíclicos, a depender da espécie de parasita infectante. Nomes populares: Paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna e maligna, maleita, sezão, tremedeira ou batedeira.
[7] Um agente patogénico ou agente patogênico, também chamado de agente infeccioso ou etiológico animado, é um organismo, microscópico ou não, capaz de produzir doenças infecciosas aos seus hospedeiros sempre que estejam em circunstâncias favoráveis, inclusive do meio ambiente. Podem ser bactérias, vírus, protozoários, fungos ou helmintos. O agente patogênico pode se multiplicar no organismo do seu hospedeiro, podendo causar infecções e outras complicações.
[8] (insalubre) pouco saudável, capaz de provocar doenças.
[9] Pretérito imperfeito do verbo proliferar.  Para medicina é multiplicar-se rapidamente; propagar-se, espalhar-se.
[10] Substância ou preparado us. no tratamento de uma afecção ou de uma manifestação mórbida; medicação, remédio, fármaco.  
[11] O termo "profilático" vem de profilaxia, do grego prophýlaxis = cautela. Profilático refere-se a profilaxia e significa preventivo, sendo utilizado para designar algo capaz de prevenir ou atenuar determinada doença (medidas/ações profiláticas, tratamento profilático). Profilaxia pode ser definida como sendo um conjunto de medidas que visam prevenir, em nível populacional, uma doença.
[12] O médico é aquele que detém os conhecimentos da medicina e pode exercer o tratamento medico em busca da cura de uma doença ou de sua prevenção. Médico prático é aquele que exerce a profissão de médico sem ter a formação acadêmica. Ele aprendeu a arte de curar com algum médico credenciado e se submeteu aos exames que o permitem atuar. Esta situação foi comum no século XIX no Brasil.

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FONTES BIBLIOGRAFICAS


EDLER, Flavio Coelho. Saber Médico e poder profissional: do contexto luso-brasileiro ao Brasil Império. SP: 2000.
FOUCAULT, M. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo:
Ed. Martins Fontes, 1999.
GURGEL,Profa. Dra. Cristina Brandt Friedrich Martin  Grupo de Estudos História das Ciências da Saúde FCM, Unicamp. São Paulo: 2012.
WEHLING, Arno. Fundamentos e Virtualidades da Epistemologia da História: Algumas questões. Estudos Históricos, v. 5, n. 10, p. 147-169, 1992. Disponível em , acesso em 24.07.2008.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Guerra Russo -Japonesa




Prof. josé Cícero Gomes

Uma das grandes guerras do século XX , que deveria ter conseqüências importantes sobre a evolução da ordem mundial, a guerra russo- japonesa de 1904-1905 . Infelizmente, este é um tema muito pouco discutido e trabalhado na historiografia ocidental. Muitos observadores militares e jornalistas ocidentais testemunharam a Guerra Russo -Japonesa e viram os efeitos da artilharia, dda guerra de trincheiras, das minas terrestres e metralhadoras. Foi uma guerra que antecipa as grandes batalhas da Primeira Guerra Mundial, mas nem participantes nem os observadores aprenderam alguma coisa com esta lição. Nenhum dos observadores ocidentais previram seus próprios conflitos ao testemunharem incompetência russos e fanatismo japonês, não poderia imaginar que aquilo era apena uma previa do grande conflito mundial que iria estourar uma década mais tarde, onde os horrores observados seriam repetidos da mesmo forma em escala mundial. Alguns historiadores contemporâneos acreditam que 'Guerra Russo -Japonesa' teve um impacto significativo na sociedade russa revelando a fragilidade e a incompetência do Estado Russo. A guerra de 1904-1905 foi travada pelo controle do Extremo Oriente , especificamente na Coréia e Manchúria , territórios, que não nunca pertenceu a qualquer um dos dois Estados em conflito. Foi uma guerra travada em nome do declínio da China. Czar Nicolau II não queria entrar em guerra com o Japão, mas havia nobres e burgueses russos de grande influência e poder político que o convenceram a ocupar a Coréia e Manchúria, estes o levou a absionar as regiões citas, tinham interesses comerciais nas áreas ambicionadas tanto por russos quanto por japoneses. Finalmente, o czar foi convencido de que o Japão não se atrevem a enfrentar o Império Russo, e mesmo que a guerra vinhece a estourar, seria preve, e a vitória certa para a ssia, e esta guerra poderia guarrantir a unida da nação russa ao redor do seu Czar e o descontentamento dos setoere medios e da classe trabalhadora do campo e da cidade iria desaparecimento. Mas os resultado do conflito russo-nipônico iria provar que os russos comenteram um grande erro ao subestimar os japoneses, que entraram no século XX, como uma potência militar e com grandes ambições no que se referia a extensão territorial. Durante as negociações que precederam a eclosão da guerra, os russos ainda enrolandos, recusando-se a levar a sério os japoneses. Finalmente, os japoneses decidiram fazer um ataque fuminante, e em 08 e 09 de fevereiro de 1904, os japoneses lançaram um ataque simultâneo aos russas em Port Arthur e Chemulpo. A Rússia perdeu todas as batalhas travadas cotra os japoneses. Finalmente, Theodore Roosevelt, presidente dos Estados Unidos da américa enterviu e negociou a paz nos meses de agosto e setembro de 1905, e presidiu a conferência de paz em Portsmouth , New Hampshire. Desde janeiro de 1905. Roosevelt defende que a Rússia deve pagar a divida de gurra ao Japão, mas como também tentaram ganhar com sua vitória sobre Rússia, o Japão merece atrair todos os poderes contra ele, e não importa o quão determinado, não será feito alianças com eles. Diante desta conjutura desfavorável o Czar recusou-se a pagar tal indenização para ao Japão. Assim se deu a vitória Japonesa, porém, ganham mas não levam. Tinharam de se contentar com metade de locação da Península Liaodong e da ilha de Sakhalin . Além disso, a Rússia reconheceu a Coréia como parte da esfera de influência do Japão e aceitou a evacuar da Manchúria . O
O
Estado Japonês protestou contra os termos do acordo de paz , acusando os americanos de roubarem a sua recompensa merecida. Através dconcessões na conferência em Portsmouth na Rússia, dai surge o ponto de desconfiança e rivalidade entre japoneses e americanos, que culminaria no O ataque a Pearl Harbor por parte do Japão em 7 de dezembro de 1941.
Esta guerra terminou russo-
nipônica, portanto, como a primeira grande vitória militar moderna de um país asiático contra uma nação europeia. A Rússia sofreu uma surpreendente derrota, não esperada pelo Ocidente , reforçando a imagem do império czarista como uma monarquia imperial em declínio. O Japão ganhou muito com esta vitória, no cenário geopolítico e ele tornau-se um nação com um grande prestígio tanto na Ásia quanto no Ocidente, onde passa a ser visto e considerado como uma nação moderna .

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


A COLONIZAÇÃO PORTUGUESA


      Os primeiros trinta anos do domínio português no Brasil ( 1500-1530) é chamado de período pré–colonial,pois o governo português não traçou um plano de ocupação, limitou-se apenas a defendê-la contra invasões, principalmente francesas. O interesse pelo pau-brasil. A extração do pau-brasil foi predatória , utilizando-se mão de obra indígena, com retribuição de presentes, (escambo).
      Em 1530, preocupado em perder as terras para os franceses e o fracasso com o comércio oriental, a Coroa portuguesa decidiu pela ocupação das terras brasileiras. A organização na forma de Capitanias Hereditárias: o território foi dividido em lotes e concedidos a pessoas interessadas e com recursos próprios. Dois documentos regiam o sistema: as Cartas de Doação e os Forais. A Carta de Doação é o documento hábil de posse e os poderes a ele concedido. O Foral determinava os direitos e deveres dos donatários. O efeitos foram satisfatórios e apenas duas prosperaram (Pernambuco e São Vicente ).
      O Governo Geral (1549-1553) – Tomé de Sousa, a vinda dos jesuítas e criação do primeiro bispado.
      A consolidação do governo geral (1553-1558) Duarte da Costa A Base Econômica da Colonização. O açúcar. Os portugueses não encontraram de início metais preciosos e optaram pela colonização a base agrícola devido suas experiências nas ilhas do Atlântico (Açores e Cabo Verde). O açúcar é de origem indiana, foi introduzido na Europa e chegou a ser produzido na Sicília São Vicente foi a primeira capitania onde se fez cultivo da cana, mas o Nordeste foi a região que mais se destacou na empresa do açúcar. Os fatores que determinaram o êxito da empresa são: o interesse do mercado externo; a experiência dos Portugueses; a qualidade dos solos e as condições climáticas; a participação holandesa, através do financiamento, refino e distribuição na Europa
      A forma de ocupação da terra
      A grande propriedade (sesmarias- tinha em média entre 6 e 24 km). O engenho como unidade produtora. Produzia além o açúcar tudo mais do que necessitava, havia dois tipos de engenho: os engenhos reais, movidos à água e os trapiches, utilizavam tração animal. O engenho era composto : casa-grande, senzala, casa do engenho e capela. Um engenho de porte médio contava com cinquenta escravos, os grandes com centenas . As terras do engenho eram formadas pôr canaviais, pastagens e áreas dedicadas ao cultivo de alimentos. A especialização da economia: a monocultura, cujo caráter era extensivo, incorporação de novas terras e não pela melhoria técnica. Ao mesmo tempo desenvolvia-se a pecuária, que se tornou uma atividade independente do engenho, interiorizando o processo colonização. O povoamento e colonização do Brasil começou com a ocupação do litoral mediante á expansão da cultura açucareira.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

7 de setembro – Deveria ser o mais importante feriado para o povo brasileiro.



Professor José Cícero Gomes




7 de setembro, Dia simbólico da Independência do Brasil. Muita gente não tem ideia do que esta data deveria significa ao povo brasileiro porque eu invejo o estadunidense quando fala com a voz empostada de orgulho e emoções do seu 4 de julho, e do francês ufanisco falando do 14 de Julho (14 Juillet, La fête nationale française jour du Bastille). Faltam estes ingredientes na vida do brasileiro, nosso povo só se veste de verde e amarelo de quatro em quatro anos na copa do mundo de futebol, vivemo numa nação que não se orgulha do que é porque não conhece sua história oficial quanto mais a sua história real.
A independência do Brasil, tudo começou em 1808. com a fuga da corte portuguesa para o Brasil. Todavia,a independência oficial se dar em 7 de setembro de 1822, quando o Príncipe Regente Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, impelido pela realidade desfavorável que estava inserido rompeu definitivamente com os laços políticos de união com a coroa portuguesa, finalizando um longo processo de emancipação política da jovem nação brasileira que iniciou com achegada de sua família em 7 de março de 1808. O sete é um número cabalístico na vida da nação brasileira. Podemos dizer que a certidão de batismo da nação brasileira é a carta-régia de 28 de janeiro de 1808, onde decretava a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas.

Simbolicamente o grito do Ipiranga é o marco de nossa independencia, oficializou o rompimento com Portugal; rompimento que, na verdade, se iniciara em 1808, com a transformação do Brasil em sede do Estado português. Portanto, a independência atendeu aos interesses conservadores das elites agrárias, não se alterando, em nada, a velha ordem econômica e político-social do Brasil colonial, gerada ao longo da colonização: o latifúndio continuou predominante, a escravidão foi man­tida e os laços da dependência econômica com a Inglaterra da era joanina.

sábado, 31 de março de 2012

O descobrimento da América

América, descobrimento da
Gravura da Nau Santa Maria. Esta gravura é contemporânea da nau almirante da esquadra de Colombo, que em 1492 alcançou pela primeira vez as terras do
Novo Mundo

De acordo com os dados disponíveis o primeiro navegador a alcançar terras americanas foi Cristóvão Colombo, em 1942 ao serviço de Castela, descobrindo a América Central.

Cristóvão Colombo inicia a sua viagem na madrugada de 3 de Agosto de 1492 como Capitão da Armada e da nau onde seguia, numa frota formada pela nau Santa Maria, a caravela redonda Pinta capitaneada por Martín Alonso de Pizón e a caravela latina Nina com Vicente Yáñez Pinzón como capitão. A tripulação era composta por um total de 90 homens, segundo Las Casas e Fernando Colombo, ou 120 já segundo Gonçalo Fernadez de Oviedo.

Devido a uma avaria, a caravela Pinta é forçada a regressar e atracar em Las Palmas, a 6 de Agosto para reparações.
Chegada de Colombo à América (gravura retirada da obra de Thierry de Bry, datada do século XVI e pretende representar a descoberta da América e as relações que a partir de então se estabeleceram).

Cristóvão Colombo chega a Las Palmas a 25 de Agosto, onde muda o aparelho latino da Nina para redondo como o da Pinta. A Armada sai finalmente 1 de Setembro de Las Palmas rumo a águas nunca até então navegadas. Colombo tinha como objectivo manter-se no paralelo a Oeste das Ilhas Canárias, não só devido a ordenação dos Reis Católicos de que não fosse mais a Sul que as ilhas Canárias, para que não infringisse o Tratado de Alcáçovas, não suscitando assim as reclamações de Portugal, mas também porque em termos de orientação seria mais fácil, uma vez que se orientaria pela Carta de Toscanelli, onde a Antilha estava representada, somente necessitando de seguir na direcção Oeste, procurando apenas uma coordenada, a longitude.
Retrato de Cristóvão Colombo de autor desconhecido, localizada no Município de Génova.

A 7 de Outubro Colombo, de acordo com as indicações de Martín Alonso Pinzín, corrige o rumo para sudoeste; esta mudança providencial foi pois se não o tivesse feito iria rumar às costas da Florida, arriscando-se a ser levado pelas correntes do Golfo o que os obrigaria a dar a volta sem descobrirem nada.

Durante o pôr do Sol do dia 11 de Setembro são detectados sinais evidentes da proximidade de terra e, na madrugada de dia 12, é avistada terra pela caravela Pinta. Tinham então chegado ao grupo das Bahamas, à ilha de Guanahaní para os Índios, mas denominada por Colombo por ilha de S. Salvador. O primeiro desembarque ocorreu na Baía Long, na Costa Ocidental, local onde foi colocado o estandarte Real pelo, a partir de então, Almirante Colombo, e as bandeiras da Cruz Verde pelos restantes capitães, tendo o escrivão da armada, Rodrigo de Escobedo, lavrado a acta da tomada de posse desta nova terra.

A 15 de Outubro é descoberta a ilha de S. Maria da Conceição, a 19 a ilha Isabela, la Saometo para os índios, conhecida hoje como Crooked. A 21 Outubro Colombo pensa ter encontrado o Cipango (Japão) quando se deparou com a ilha de Cuba. A 28 do mesmo mês entra na baía de San Salvador, na costa norte da ilha de Cuba, onde envia uma embaixada ao seu interior, do que recebe a primeira indicação de que em terra as populações eram miseráveis, contrariando as expectativas de terem chegado à Índia.

Após 1495 a América do Norte foi alcançada por outros navegadores, com João Fernandes Lavrador e Pero Barcelos que alcançaram a Gronelândia e a “Terra do Lavrador”, sob ordem do Rei D. Manuel. Já ao serviço da Inglaterra João Caboto alcança a mesma Região em 1496.

D. Manuel recebe informações sobre esta zona como sendo composta por um mar cheio de gelo, onde abundam rios, árvores de fruto e animais e cujos habitantes vivem da pesca, utilizando utensílios de pedra.

Em 1500 aparecem pela primeira vez na carta de Juan de La Cosa as terras da América do Sul, os estados do Brasil, das três Guianas e da Venezuela, inicialmente descobertas por Alonso Ojeda e Cosa em 1499 e por Vicente Yañez Pinzón em Janeiro de 1500, e finalmente em Março de 1500 por Pedro Álvares Cabral com o descobrimento da ilha de Vera Cruz.

O descobrimento da América fez desabar uma ideia antiga de que, grosso modo, o mundo era constituído apenas por um bloco tricontinental composto pela Ásia, África, Europa e cercado por um enorme oceano. Com o conhecimento do Novo Mundo dá-se uma total dessacralização da representação cosmográfica conhecida até então, e que se acentuará com o conhecimento progressivo do continente americano.
Catarina Garcia

Bibliografia
MAHN-LOT, Marianne, A conquista da América Espanhola, Campinas, São Paulo, Papirus Editora, 1990.
MARTÍNEZ-HIDALGO, José Maria, Las naves del Descubrimiento e sus hombres, Madrid, Editorial Mapfre, 1991,pp. 72-79.
MARTINEZ, José Luis, Pasajeros de Indias. Viajes trasatlánticos en el siglo XVI, México, Fondo de Cultura Económica, 1999.
MARCOS, Jesús Varela e SHENEIDER, Cristina Seibert, “A Política Atlântica dos Países Ibéricos e o Descubrimento do Brasil” in Revista del Seminário Iberoamericano de Descubrimentos y Cartografia – Seminários Temáticos, Valladolid, Seminario Iberoamericano de Descubrimentos Y Cartografia Instituto Interuniversitario de Estudios de Iberoamérica y Portugal, 2001.
PÉREZ, Demetrio Ramos, “Colombo e os seus descobrimentos”, in Luís de Albuquerque [dir], Portugal no Mundo – séculos XII-XV, Publicações Alfa, 1989, pp 355-385.
ROMANO, Ruggiero, Os conquistadores da América, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1972, pp. 97-106.
FORTE:http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/d10.html

A Pré-história


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